Receita Federal 2026: o que o Relatório Anual de Fiscalização revela e o que sua empresa precisa fazer antes de ser notificada
Quer regularizar sua empresa?
A Receita Federal do Brasil divulgou em abril de 2026 o Relatório Anual da Fiscalização 2025-2026, documento que apresenta os resultados do ano anterior e as diretrizes que vão orientar a atuação do Fisco nos próximos meses. Para empresas de médio e grande porte, o relatório é uma leitura obrigatória. Para todas as demais, é um aviso.
Em 2025, as autuações da fiscalização somaram R$ 233 bilhões, valor resultante de esforços contra a sonegação, evasão e falta de recolhimento de tributos. Para 2026, a Receita não está recuando. Está mudando de abordagem, e essa mudança tem implicações diretas para qualquer empresa que opere com pendências fiscais ou regulatórias. AmdJus
A nova lógica da fiscalização: dados antes da autuação
O principal sinal do relatório é uma mudança de paradigma na forma como a Receita Federal atua. O documento reforça uma mudança cada vez mais orientada por dados, com foco em prevenção, autorregularização e monitoramento contínuo.
Na prática, isso significa que a Receita está investindo em sistemas que identificam inconsistências antes de uma fiscalização formal começar. O relatório evidencia o avanço na implementação de mecanismos de validação de informações em documentos fiscais eletrônicos e o fortalecimento de ambientes digitais integrados, alinhados à futura sistemática da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo.
O resultado é que empresas que antes conseguiam operar com inconsistências que passavam despercebidas estão sendo identificadas automaticamente, sem necessidade de uma fiscalização presencial. O cruzamento de dados entre sistemas fiscais eletrônicos, declarações e obrigações acessórias já é suficiente para que a Receita sinalize irregularidades e inicie processos de notificação.
O Programa Confia: a janela de diálogo que está se fechando
Um dos pontos mais relevantes do relatório para empresas que têm pendências em aberto é a expansão do Programa Confia em 2026. O Programa Confia é uma iniciativa da Receita Federal para grandes empresas que substitui a fiscalização punitiva por diálogo e transparência. Em 2025, o programa contou com 20 participantes e tratou 127 questões fiscais de forma colaborativa.
Em 2026, a fiscalização trabalha para a implementação definitiva do Confia, após a regulamentação da Lei Complementar nº 225/2026, com certificação dos participantes e condução dos planos de trabalho.
A lógica do programa é direta: empresas que demonstram transparência e regularidade entram em um processo de diálogo com o Fisco antes que qualquer problema se torne uma autuação. Empresas que não se antecipam enfrentam o processo punitivo tradicional, com multas e juros que se acumulam sobre os valores devidos.
O Confia não é acessível a todas as empresas e tem critérios de participação que incluem a demonstração de conformidade fiscal. Isso significa que regularizar pendências é, também, um pré-requisito para acessar esse modelo mais favorável de relacionamento com o Fisco.
O que mais a Receita vai monitorar em 2026
Além da expansão do Confia e do fortalecimento dos sistemas de validação automática, o relatório sinaliza frentes específicas de atenção para 2026.
A fiscalização deverá concentrar esforços na consistência das informações prestadas e, especialmente, na utilização de créditos tributários. O planejamento da Receita sinaliza atenção a eventuais distorções em compensações, o que tende a ganhar ainda mais relevância com a transição entre regimes, inclusive no que se refere ao aproveitamento de créditos vinculados ao PIS e à Cofins.
Outro ponto relevante diz respeito ao endurecimento do monitoramento sobre estruturas que impactam a apuração do IRPJ e da CSLL, com o reforço da importância do acompanhamento de prejuízos fiscais e bases negativas, bem como o aprimoramento das obrigações acessórias.
Ganha destaque ainda o monitoramento de instrumentos como os Juros sobre Capital Próprio, especialmente após as alterações introduzidas pela Lei nº 14.789/2023, com tendência de intensificação de ações de orientação e fiscalização em relação a contribuintes que utilizam o instrumento de forma inadequada.
Por fim, o relatório evidencia o fortalecimento do intercâmbio de informações entre órgãos públicos, ampliando a capacidade de fiscalização sobre incentivos fiscais. Esse intercâmbio significa que informações compartilhadas entre Receita Federal, Secretarias Estaduais de Fazenda, prefeituras e outros órgãos estão alimentando um sistema de monitoramento integrado que vai muito além da esfera federal.
A conexão entre conformidade fiscal e conformidade regulatória
Um ponto que o relatório torna ainda mais evidente, mas que raramente é discutido fora dos círculos de compliance, é a conexão crescente entre a esfera fiscal e a esfera regulatória.
O fortalecimento do intercâmbio de informações entre órgãos públicos não se limita à esfera tributária. Municípios que cruzam dados de CNPJ com situação de alvará de funcionamento, estados que verificam regularidade fiscal antes de emitir licenças ambientais e a fiscalização integrada entre órgãos municipais, sanitários, ambientais e o Corpo de Bombeiros são parte do mesmo movimento: o poder público está cada vez mais capaz de identificar empresas com pendências em qualquer frente, usando dados de múltiplas fontes.
Isso significa que uma empresa com pendências fiscais está mais exposta a ser identificada em uma fiscalização regulatória, e vice-versa. Uma empresa interditada por pendência de alvará ou licença sanitária pode ter essa ocorrência registrada em sistemas que alimentam a análise de risco da Receita Federal.
A regularização fiscal de empresas e a regularização regulatória precisam ser tratadas de forma integrada, não como processos separados que acontecem em departamentos diferentes sem comunicação entre si.
A sequência que a Receita está adotando e o que isso significa na prática
O relatório deixa claro que a Receita Federal adota em 2026 uma sequência que começa com orientação e termina com autuação. Para 2026, serão intensificadas ações de orientação aos contribuintes e o envio de alertas sobre divergências, combinando-se diferentes abordagens conforme a situação a ser tratada.
Na prática, isso significa que muitas empresas vão receber comunicados e alertas antes de uma fiscalização formal começar. Esses comunicados são uma oportunidade de regularização com condições melhores do que as que existem após uma autuação. Ignorá-los é o erro mais caro que uma empresa pode cometer nesse contexto.
A Receita já demonstrou essa abordagem em 2025 com contribuintes de alta renda que tinham bens no exterior não declarados: a autorregularização gerou R$ 2,6 milhões de crédito tributário, com 25% de declarações retificadas. Em 2026, a Receita pretende concluir a etapa de assistência e iniciar a etapa de fiscalização para aqueles contribuintes que não aproveitaram a oportunidade de correção por conta própria.
O padrão é consistente: aviso, oportunidade de autorregularização, fiscalização para quem não aproveitou. Quem age na primeira etapa tem custo menor, prazos mais flexíveis e não acumula o histórico de autuação que complica processos futuros.
O que sua empresa deve fazer agora
O primeiro passo é um diagnóstico completo da situação fiscal e regulatória da empresa, que identifique todas as pendências existentes antes que um comunicado da Receita ou uma fiscalização de qualquer órgão as encontre primeiro.
Esse diagnóstico precisa cobrir as três esferas, municipal, estadual e federal, e precisa considerar tanto as obrigações fiscais quanto as obrigações regulatórias: alvará de funcionamento, licenças complementares, inscrições, certidões e documentos técnicos. Pendências em qualquer uma dessas frentes aumentam o risco de exposição nas demais.
O segundo passo é estruturar um plano de regularização com sequenciamento correto das ações, priorizando o que está gerando maior risco de exposição imediata e o que é pré-requisito para resolver outras pendências.
O terceiro passo é implementar uma gestão de licenças e prazos regulatórios e de obrigações fiscais que garanta que a empresa não volte à situação de irregularidade por falta de acompanhamento dos vencimentos.
A SEDI atua há 30 anos na regularização fiscal e regulatória de empresas em todo o Brasil. Se a sua empresa tem pendências em aberto ou quer fazer um diagnóstico completo da sua situação antes de receber um comunicado do Fisco, fale com um dos nossos consultores em sedi.com.br/contato.
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